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Senhoras e senhores, eis Eduardo, a ‘lenda’!
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Desporto

2020-04-01 às 06h00

Ricardo Anselmo Ricardo Anselmo

Guardião abriu o livro da história da sua vida e contou alguns dos episódios mais marcantes da carreira, nacional e internacional. A não perder.

Os 37 anos que constam do cartão de cidadão comprovam a veterania e experiência que empresta aos clubes por onde passou ao longo da carreira. Ainda assim, o número 82 do SC Braga é uma lenda dos Guerreiros, não só por mais de uma década (não consecutiva) ao serviço dos arsenalistas, mas também pelas histórias e episódios que coleccionou com a camisola da legião vestida. Muitas delas foram contadas na primeira pessoa, não só as que viveu ao serviço dos minhotos, como também ao longo de uma carreira ímpar e notável. Mas, afinal, como foi o início de tão respeitosa carreira?
“Comecei a jogar na escola muito novo. Um amigo meu, o Rui Borges, precisava de um guarda-redes no Mirandela para os infantis. Ele levou-me para o clube, tinha um bocado de jeito, e pronto foi lá que tudo começou”, explicou, ao mesmo tempo em que lembrava uma infância passada no campo.
“Os meus pais eram agricultores, cresci numa quinta e ajudava-os. Tinha de vir da escola rápido para ajudar o meu pai na quinta. Ele era muito rigoroso, tinha de cumprir à risca. Adorava ir apanhar cerejas, que é o meu fruto preferido. Tenho muitas saudades desse tempo”, recorda, principalmente de um nome (José Rocha) que foi para ele um autêntico pai no futebol.
“Significa tudo para mim. Não tinha meio de transporte para ir para os treinos e esse senhor levava-me, deu-me as minhas primeiras luvas, deu-me tudo. Levou-me a vários clubes para ir treinar, inclusive ao SC Braga. O meu pai faleceu muito cedo e esse senhor foi um segundo pai para mim, ele abriu-me as portas do futebol”, conta Eduardo, antes de abrir o livro para contar a chegada ao SC Braga, ainda na formação, proveniente do rival Vitória SC.
“Foi complicado. Eu vinha do Vitória SC e, no primeiro dia que fui treinar, o Vítor Santos (Coordenador da Formação do SC Braga) perguntou-me qual era o meu clube anterior e disse: ‘Ui, nós ficamos com os dispensados dos outros?’ Fiquei apreensivo, mas felizmente consegui fazer uma carreira aqui”.
Já sobre os treinadores que mais o marcaram ao longo da carreira, Eduardo não tem dúvidas.
“Gostei muito de trabalhar com o Jorge Vital e com o Spinelli, que é uma referência mundial em termos de treinadores de guarda-redes. Depois, como treinadores principais, gostei do Domingos, do Conte, do Balardini e do Jorge Jesus. Tive a felicidade de trabalhar com grandes treinadores”.

“Quero treinar os guarda redes quando terminar”
Para além do SC Braga, grande parte da carreira foi passada “lá fora”, o que lhe permitiu acumular grandes experiências, que guarda e tenta pôr em prática no dia-a-dia.
“O Genoa foi a minha primeira experiência internacional, num grande clube italiano. Depois fui para o Istambul BB, para um campeonato diferente e exigente. Estive no Dínamo Zagreb, onde fiz a minha estreia na Liga dos Campeões. Estive no Chelsea, que é um dos melhores clubes do mundo. Antes de voltar a Braga estive no Vitesse, um clube da primeira divisão da Holanda onde fui muito feliz. Sinto-me um felizardo por ter passado por esses países e por esses clube”, garantiu, revelando ainda ter sentido falta de algumas coisas no estrangeiro.
“Na minha vida, quando estive fora, estive quase sempre sozinho. Foi muito duro. Na Turquia tinha dificuldade com a língua, foi muito difícil, muitas vezes tinha que ligar o tradutor quando ia a um restaurante. Acima de tudo, estar longe da minha família foi o mais complicado”, lamenta.
A crítica da imprensa também foi uma experiência difícil de ultrapassar.
“Um avançado falha um golo e não é uma capa de jornal, o guarda-redes sofre um frango e é capa de jornal. A minha opinião é que os guarda-redes que têm uma maior estabilidade emocional conseguem ter uma carreira melhor”.
À sua frente, no campo, Eduardo revela também qual o defesa-central com quem mais gostou de jogar.
“O Moisés marcou-me muito porque era daqueles jogadores que ia para o treino cheio de dores, mas chegava ao jogo e dava tudo o que tinha, era contagiante. Foi um prazer ter jogado com ele”, frisou, revelando a vontade de treinar guarda-redes no futuro. “Trabalhei com treinadores de grande nível, que me deram muitas bases. O trabalho com os guarda-redes é algo que eu adoro e gostava de me dedicar a isso quando acabar a carreira”.

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