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Situações graves estão ultrapassadas e a tranquilidade regressou a Melgaço
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Situações graves estão ultrapassadas e a tranquilidade regressou a Melgaço

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Situações graves estão ultrapassadas e a tranquilidade regressou a Melgaço

Alto Minho

2020-05-29 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Melgaço viveu momentos difíceis, mas estão ultrapassados. Até ontem o município registava um total de 86 casos confirmados de Covid-19, dos quais 64 já recuperados e 12 activos. “Neste momento estamos tranquilos”, diz Manoel Batista.

Melgaço viveu algumas situações delicadas desde no início da pandemia, mas todas elas estão ultrapassadas e com o concelho a realizar “um excelente percurso de recuperação”.
De acordo com os últimos dados divulgados pela ULSAm, Melgaço regista, desde o início da pandemia, 86 casos de Covid--19, dos quais 64 já recuperaram. Neste momento são já apenas 12 as pessoas cujo teste ainda denuncia a presença do coronavírus no organismo.

“A evolução foi muito favorável. Neste momento estamos tranquilos”, admite Manoel Batista, realçando porém que ainda não é possível baixar a guarda porque este é um cenário que ainda se pode alterar, aqui e em qualquer lugar.
Foram três as situações complicadas com que o concelho teve de ligar e fê-lo prontamente.
A primeira verificou-se em Parada do Monte e levou a Câmara Municipal a implementar um cerco sanitário à aldeia onde residem 370 habitantes, após a confirmação do terceiro caso de infecção.

“Mesmo correndo risco de a medida parecer exagerada, impor o cordão sanitário foi muito importante e necessário para a população perceber que tinha de ter comportamentos seguros e sérios”, explica o edil.
Outro local crítico foi o centro de saúde local, onde se registaram cinco casos positivos. A situação está ultrapassada e a unidade de saúde que já está a funcionar normalmente dentro das contingências impostas pela actual situação epidémica. Recorde-se que a Câmara agiu aqui também prontamente ao realizar testes a todos os profissionais do centro da saúde, o que permitiu perceber a dimensão do problema e implementar soluções.
A terceira situação e mais grave viveu-se no Lar Pereira de Sousa, da Santa Santa da Misericórdia, onde se verificaram um total de 61 infectados. Desses 41 estão recuperados, dez ainda testam positivo e há ainda uma dezena de mortes a lamentar.

Foram vividos momentos muito dramáticos que a autarquia acompanhou “prestando todo o apoio possível” desde logo com a realização de testes de rastreio a utentes e cuidadores, a disponibilização de uma cantina escolar para que a instituição confeccionasse as refeições e ainda a disponibilização da Pousada da Juventude, onde durante quatro semanas foram acolhidos idosos da instituição.
O pior passou e a instituição procura agora regressar à normalidade possível.

“Em todas estas situações procuramos agora de forma rápida para que elas não tomassem proporções ainda mais graves”, explica o autarca.
Com o desconfinamento agora em marcha, Manoel Batista considera que as situações vividas e ultrapassadas serviram para consciencializar os melgacenses para a necessidade de manter as medidas de prevenção, nomeadamente utilizar máscara de protecção e manter distanciamento social. E “os melgacenses estão a cumprir”, realça.

Medidas mitigam efeitos da crise

Logo no início da pandemia, a Câmara de Melgaço implementou um vasto pacote de medidas de apoio para mitigar os efeitos da crise causada pela pandemia.
Para os consumidores não domésticos, a Câmara Municipal aprovou a isenção total das tarifas nos serviços de abastecimento de água, saneamento e resíduos urbanos. Esta medida, válida para Abril e Maio, abrange indústrias, comércios, serviços e equiparados.

Da mesa forma, as todas as famílias residentes em Melgaço, em Abril e Maio, beneficiaram de desconta nas mesas tarifas.
Manoel Batista destaca, porém, que uma das medidas mais importantes foi o apoio alimentar às famílias afectadas pelo desemprego, e que foram sobretudo aquelas que trabalhavam na restauração e hotelaria. O edil explica que algumas delas são imigrantes e em situação fragilizada, sem qualquer rede de apoio familiar no território.

“Apoiamos não só com alimentos, mas também no arrendamento. É importante garantir as mínimas condições de vida às pessoas”, referiu.
Num outro âmbito, a Câmara também disponibilizou equipamentos informáticos e ligação à internet para que os alunos do concelho tivesse acesso ao modelo de ensino à distância.
Esse trabalho, feito em parceria com as escolas, iniciou-se logo no final do 2.º período para garantir que no início do 3.º a situação estivesse resolvida.

Reabertura de fronteiras vai ajudar as pessoas e a economia

O presidente da Câmara Municipal de Melgaço reconhece que o encerramento das fronteiras terrestres “foi fundamental” para conter o surto de Covid-19, mas considera que já existem condições para reabrir outros pontos de passagem, sobretudo para os trabalhadores transfronteiriços que estão a ser muito penalizados com a manutenção da actual situação.
Valença-Tui mantém, no Norte, o único ponto de fronteira a funcionar, sendo de longe o que mais movimento regista dos nove que ficaram abertos entre Portugal e Espanha.

“Neste momento o que eu espero é que o Governo se mantenha à altura da situação, como tem acontecido até agora, e procura dialogar com Espanha no sentido de planear a melhor forma de reabrir as fronteiras terrestres”, referiu Manoel Batista, admitindo que para Melgaço seria muito importante, não só porque há melgacenses que trabalham na Galiza e vice-versa, como aliás acontece em todos os concelhos da raia.
“Todos estes concelhos de fronteira têm fluxos de trabalhadores transfronteiriços que têm de percorrer agora muitos quilómetros, gastar muito tempo e combustível para poder trabalhar”, alerta.
“O mais urgente será acatar já este fluxo de trabalhadores transfronteiriços e depois o fluxo económico para que a restauração, a hotelaria e o comércio possa acelerar a sua retoma”, defende Manoel Batista, vincando que “os públicos galegos são muito importantes para todo este território da raia”.

Reactivação económica já se começa a sentir

Em Melgaço, o processo de reactivação da economia já se começa a sentir no terreno, inclusive a nível do turismo, o que dá boas perspectivas para o futuro.
“A reactivação da nossa economia já está em marcha”, assume Manoel Batista, dando como exemplo o último fim-de-semana que “funcionou muito bem” para o comércio e restauração do concelho, obviamente dentro das condicionantes que ainda existem e tendo encontra que este é um novo despertar.

Também o Turismo parece renascer. Segundo o presidente da Câmara Municipal de Melgaço avançou ao ‘Correio do Minho’, o alojamento do concelho tem registado por estes dias “uma procura interessante e até surpreendente”.
A procura tem sido sentida sobretudo a nível do turismo em espaço rural, que está todo em funcionamento, mas também na hotelaria tradicional.

Melgaço tem apostado em promover-se como” o destino de natureza mais radical de Portugal”, imagem que vai continuar a ser aposta para cativar quer turistas nacionais, quer estrangeiros.
Pelas suas condições naturais, Melgaço transmite às pessoas uma maior sensação de segurança porque aqui elas não estão expostas a aglomerações.
Manoel Batista recorda que o concelho estava a registar “um crescimento extraordinário a nível turístico”, esperando que “esse crescimento seja agora retomado aos poucos com o processo de desconfinamento”.

Robustez financeira garante investimentos

A robustez financeira do Município de Melgaço permite à autarquia liderada por Manoel Batista manter todos os investi- mentos programados.
Apesar do aumento da despesa associado às medidas de resposta à Covid-19, e da diminuição da receita devido ao abrandamento da economia, o edil acredita que os projectos que já estão no terreno ou programados para iniciar “não vão ser hipotecados”.
“O Município de Melgaço tem feito um bom percurso de reestruturação financeira e está robustecido e com capacidade para gerir esta situação de crise e manter toda a ambição do ponto de vista dos serviços que presta à população”, garante o edil.

No entanto, Manoel Batista admite que é importante reforçar o apoio às autarquias locais que neste contexto demonstraram toda a sua eficácia pelo trabalho que desenvolveram junto das populações.
“Houve um trabalho grande do Governo e do nossos Serviço Nacional de Saúde, que mostrou que é dos melhores do mundo, mas localmente foram as autarquias que tiveram um papel indispensável. O poder autárquico é o que melhor responde às necessidades das populações e deve ser apoiado por isso”, sustenta Manoel Batista.

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