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Situação epidemiológica de Fafe melhora depois de um Janeiro “muito complicado”
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Entrevistas

2021-02-26 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Em Fafe viveram-se tempos muito complicados nesta terceira vaga da pandemia causada pela Covid-19. Houve dias em que o número de novos casos se aproximou dos três dígitos. Actualmente, a média tem sido de três novos casos por dia.

O decréscimo acentuado de novos casos de Covid-19 também se regista em Fafe. Nos últimos dias, têm sido confirmados uma média de três novos casos diários, o que representa uma redução significativa face a Janeiro, mês em que houve dias em que nos novos casos diagnosticados estiveram perto da centena.
A situação epidemiológica do concelho está assim marcada pela descida acentuada de novos casos, como realça Raul Cunha, presidente da Câmara, em entrevista ao Correio do Minho.

O autarca, que é médico de profissão, considera que este segundo confinamento geral, sobretudo depois de encerradas as escolas, foi fundamental para conseguir mitigar o contágio nesta terceira vaga da pandemia.
Medidas que considera necessário manter por enquanto por favor a garantir o controle pandémico.
“Noto que as pessoas aderiram não às medidas de confinamento, como estão a aderir à vacinação”, refere o presidente da autarquia, dando nota de que, no concelho, o processo de vacinação prossegue a bom ritmo.
“Havendo vacinas disponíveis vamos manter este ritmo para que até ao Verão a maioria da população esteja vacinada contra a Covid-19”, referiu.

Em Fafe, já estão vacinados todos os profissionais de saúde, assim como utentes e colaboradores dos lares.
A vacinação da população, concretamente dos maiores de 80 anos ou maiores de 50 com patologias associadas, já arrancou na terça-feira. Decorre na Unidade Municipal de Vacinação, localizada no Multiusos de Fafe, de segunda a sexta-feira, das 8 às 14 horas.
A Câmara Municipal ajuda também no transporte de pessoas com mobilidade reduzida ou condicionada, sinalizadas pelos Serviços de Saúde.
No primeiro dia foram vacinados mais de 200 fafenses, o que para o autarca é um bom sinal de que há capacidade para “manter um bom ritmo” de vacinação, “assim haja vacinas”.

Há mais famílias a pedir ajuda

“Em Fafe ninguém passa fome. Se alguém estiver a passar necessidades ou tiver conhecimento de alguma situação de carência, agradecemos que nos referenciem esses casos para que possamos ajudar e temos condições para o fazer com rapidez”, afirma Raul Cunha, realçando que o concelho de Fafe conta com “um serviço social muito robusto” e “para o qual tem de haver sempre recursos”.
O autarca tem consciência de a par da saúde, a pandemia também tem tido consequências devastadoras a nível social e económico. A Câmara Municipal “responde com o possível e com bom senso”, refere.
O edil constata que “o número de famílias a pedir apoio alimentar e não só aumentou significativamente”.

Raul Cunha recorda que a resposta para as necessidade a nível de alimentos é dada em articulação com a Delegação de Fafe da Cruz Vermelha e a CoopFafe. “O facto de, antes da pandemia, já termos no terreno uma rede robusta de apoio social permite-nos atender mais prontamente às necessidades que nos vão sendo reportadas”, explica.
Recorda que, desde há alguns anos, o Município desenvolve diversos programas de acção social, que incluem medidas de apoio destinadas às famílias, desde os idosos, jovens e crianças, como o apoio ao pagamento da renda; o programa municipal para melhoria de habitação de agregados familiares carenciados; apoio no transporte ambulatório de doentes; fundo de emergência social (ajuda no paga- mento de despesas familiares como luz, água, gás e outras); um programa de apoio para compra de medicação; entre outros.
Numa medida de apoio directo às famílias fafenses, o Município também assume o custo do aumento de tarifas do fornecimento de água, de saneamento de águas residuais e dos resíduos sólido urbanos, resultante da aprovação dos novos tarifários para o ano de 2021.

Câmara apoia ensino à distância com computadores e refeições

Como já tinha acontecido no último ano lectivo, a Câmara de Fafe continua a apoiar o ensino à distância para que nenhum aluno do concelho” fique para trás”. Neste segundo confinamento, a autarquia já entregou mais duas centetas de computadores e garantiu equipamentos para que todos os alunos tenham acesso à internet.
A autarquia está também a colaborar, em articulação com as escolas e juntas de freguesia, para fazer chegar materiais didácticos aos alunos que residem numa área, a Norte do concelho, onde não existe ainda rede de internet.
A Câmara também continua a garantir as refeições aos alunos com escalão A e B, que são servidas em regime de take away.
“Além desses alunos com escalão A e B, também estamos a distribuir refeições a algumas famílias que nos foram referenciadas pelo agrupamento de escolas. São agregados que não beneficiando de escalão A ou B, mas que se posicionam ali no limite e estão a passar por situações mais delicadas e nós apoiamos”, explica Raul Cunha, avançando que até ao início desta semana já tinham sido servidas mais de 1100 refeições.

Pandemia já custou mais de um milhão à Câmara de Fafe

A pandemia causada pela Covid-19 já custou mais de um milhão de euros aos cofres da Câmara Municipal de Fafe, verba avançada pelo presidente da autarquia, realçando que a conta ainda não está fechada, uma vez que ainda há muitos apoios que estão em vigor e que poderão ser renovados se houver necessidade disso.
“Entre o que já investimos directamente e as receitas municipais que não se concretizaram por via das muitas isenções e apoios concedidos, a factura da Covid-19 já passou a barreira do milhão de euros”, refere Raul Cunha, realçando que é um valor considerável para o orçamento municipal.

A autarquia tem em vigor, durante este primeiro semestre de 2021, um vasto pacote de apoios às empresas. “É a nossa forma de ajudar as nossas empresas dentro do que nos é possível e com bom senso”, explica o autarca, salientando que os apoios agora renovados serão reavaliados em Julho, podendo haver o seu prolongamento nessa altura.
Do pacote de apoios às empresas, o edil destaca a isenção a 100% do pagamento das taxas de ocupação de espaço público pelas esplanadas.

Refere ainda a redução em 50% de um vasto conjunto de taxas, onde se incluem a taxa de ocupação de terrado da feira semanal e a taxa de publicidade efectuada pelas empresas nas próprias instalações comerciais.
As empresas que comprovadamente viram o seu volume de negócios reduzido em 40% ou mais, no ano de 2020 face a 2019, beneficiam também de um desconto de 50% na taxa de fornecimento de água, saneamento e de recolha de lixo.
O edil lembra ainda que estão em vigor reduções também nas rendas de espaços municipais.

Investimento municipal mantém-se para injectar liquidez na economia

O custo da pandemia é elevado para os cofres do Município de Fafe, mas não impede que a autarquia liderada por Raul Cunha mantenha o investimento público. O edil realça que é uma forma não só de responder às necessidades das populações, de desenvolver o concelho, mas também de injectar liquidez na economia.
O autarca dá como exemplo a antecipação dos protocolos que anualmente estabelece com as Juntas de freguesia para que estas realizem as obras que consideram mais necessárias nos seus territórios.
Os protocolos agora assinados com as 25 juntas de freguesia do concelho, numa lógica de “descentralização do Município” representam investimentos no valor global de dois milhões de euros.

Desde 2014, altura em que Raul Cunha assumiu a presidência do Município, já transferimos para as freguesias, neste modelo de protocolo, 16 milhões de euros.
Este modelo de descentralização assume particular relevância no actual contexto económico, como realça o edil: “estes protocolos estimulam também o investimento e desta forma contribuem para o desenvolvimento económico e promovem a criação de emprego, pois a construção é um dos sectores que continuam activos”.
Em curso estão também outras obras municipais programadas, nomeadamente obras de requalificação urbana, como por exemplo mais de meio milhão de euros investidos nos arruamentos do Retiro.

Turismo em espaço rural deverá recuperar rapidamente

O impacto económico e social desta pandemia, como referido anteriormente, é uma das principais preocupações do autarca fafense. Raul Cunha reconhece as dificuldades pelas quais estão a passara o comércio, a restauração, a hotelaria, os cafés e bares, os cabeleireiros, entre muitos outros espaços obrigados a encerrar ou funcionar de modo condicionado para conter a propagação da Covid-19.
O edil espera que um pelo menos um desses sectores recupere rapidamente desta crise: o que está ligado ao turismo em espaço rural.

“Fafe tem uma rede de turismo de habitação que está parada actualmente. No entanto, à semelhança do que aconteceu após o primeiro confinamento, acredito que será um dos sectores com a recuperação mais rápida. O facto desses espaços de alojamento se situarem em zonas rurais, com muito ar puro e condições para garantir distanciamento social contribui para que tenham muita procura. Acredito que, como no Verão passado, desta vez aconteça o mesmo”, refere.
Porém, para que tal seja possível é necessário que a pandemia fique controlada.
O autarca, que é médico de profissão, acredita que se o plano de vacinação se concretizar como previsto e se as regras da DGS forem cumpridas, associando a isso a melhoria das condições atmosféricas, poderemos ter condições para respirar de alívio no próximo Verão.

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