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São Victor: Fábrica Confiança é o tema central
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São Victor: Fábrica Confiança é o tema central

Professor da UMinho no Conselho Superior dos Tribunais Administrativos e Fiscais

São Victor: Fábrica Confiança é o tema central

Braga

2021-09-23 às 06h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Candidatos à Junta de Freguesia de São Victor - a maior da cidade - debateram ideias e apresentaram as propostas num debate promovido pelo Correio do Minho e Antena Minho. Fábrica Confiança é um dos temas fortes desta campanha.

Fábrica Confiança e a questão da mobilidade foram os principais temas centrais expostos pelos candidatos à Junta de Freguesia de São Victor, às eleições do próximo dia 26 de Setembro. Os representantes das seis candidaturas apresentaram as propostas e debateram as ideias para a freguesia no debate promovido pelo Jornal Correio do Minho e pela Rádio Antena Minho, no Hotel Meliá, em Braga.
Ricardo Silva - actual presidente da Junta de Freguesia e candidato independente ‘Amar e Servir São Victor’ - destaca a Fábrica Confiança como “uma das respostas que queremos dar à pessoas”, criticando a forma como o processo se foi desenrolando, aliás, um dos pontos de ruptura que ditou a separação com a Coligação Juntos por Braga. “É um dos processos em que a junta de freguesia devia ter sido logo envolvida desde início, porque é um património da freguesia, único testemunho da era industrial na nossa cidade. Há ainda a necessidade de percebermos as várias sensibilidades, tem de haver mais massa crítica para se perceber a multiplicidade de visões. Se olharmos para a parte de monumentalidade, dará para um núcleo museológico e há quem defenda que a parte de trás possa ser residência universitária ou zona verde. Defendemos é que deve ficar na esfera pública”, sublinhou, lembrando que, ao longo dos anos, o município foi mudando a perspectiva relativamente à fábrica, “e isto teria sido evitado se houvesse gestão de partilha”.
Já Firmino Marques, candidato da coligação ‘Juntos Por Braga’, defende a instalação de uma residência universitária, com capacidade para 600 estudantes, um projecto que diz ser de interesse comum, “que vem dar resposta” a todos os reptos lançados pela comunidade universitária e no qual a junta de freguesia se deve empenhar, para a sua concretização, “salvaguardado o interesse patrimonial e histórico”. “Vamos ter uma utilização mista de um espaço muito interessante”, acrescentou”.
Rui Dória, candidato do Partido Socialista, reivindica “a gestão partilhada da Fábrica Confiança” e defende “o projecto inicial”. “Para a Confiança, temos uma opção que vai de acordo com a sua origem, quando se abriu à comunidade um programa de ocupação, que passa pelas indústrias criativas, um museu, um ponto ligado à cidade, promovendo uma movida cultural”, realçou.
O candidato da CDU, João Melo, lembrou que a “CDU foi a força política que, ao longo dos anos, defendeu que fizesse parte do domínio público e fosse afecta a funções sociais e culturais”. “É uma luta antiga e ponto de honra defender que deve ter fins culturais, sem prejuízo de ser construída, no logradouro, a tal residência universitária que tanta falta faz à cidade”.
Catarina Afonso, do Bloco de Esquerda, deixou claro que querem “uma Fábrica Confiança realmente aberta ao público, sendo um pólo cultural que tanto a cidade precisa”. “Vamos ter uma candidatura a Capital Europeia da Cultura sem um equipamento digno de ser chamado centro cultural”, criticou.
Quanto ao candidato do Chega, Maurício Borges defende para a Confiança “uma escola de artes”, porque “temos muitos jovens ligados à arte e cultura e faltam espaços destes”. “Uma cidade que se candidata a Capital Europeia da Cultura tem de ter um espaço onde se possa expressar o talento”, referiu o candidato.

Trabalho de proximidade
como objectivo comum

A opinião é unânime: o debate promovido pelo Correio do Minho e Antena Minho é fundamental para a partilha de ideias, numa visão comum a todos os candidatos: um trabalho de proximidade na freguesia.
“Louvar esta oportunidade de expormos as nossas ideias. Não tem que haver uma concorrência directa, mas uma complementaridade e visões que devem contribuir para o desenvolvimento da freguesia. Vamos ter de trabalhar todos em conjunto na Assembleia de Freguesia e esta é a nossa grande primeira reunião para acertarmos a forma de trabalhar no futuro. A freguesia de São Victor é um território com uma potencialidade enorme, tem todo o futuro aqui instalado, a Universidade do Minho, o INL, uma excelente requalificação da Rodovia, o Hospital, equipamentos que proporcionam qualidade de vida. Mas a densidade populacional exige resolver os problemas. Defendemos uma intervenção estratégica na freguesia, reordenamento das questões de trânsito e a descentralização de competências para actuarmos mais rapidamente. Se a junta de freguesia tivesse estas competências, conseguíamos uma resposta mais célere”, frisou o independente Ricardo Silva, assumindo que pretende resolver os grandes problemas, como “as assimetrias do ponto de vista social, cultural e desportivo”.
“Queremos reforçar a nossa capacidade de resposta e para aquilo que, legalmente, não temos resposta, queremos pressionar as entidades, a câmara municipal e o próprio Governo, a dar-nos essa capacidade e delegação de competências, para podermos actuar neste registo de proximidade”, realçou.
Rui Dória, do PS, considera que o debate “vem ajudar a esclarecer”, considerando “uma iniciativa louvável, que permite colocar a política a outro nível junto dos cidadãos ajudando a comunicar para além dos cartazes e dos brindes”.
“São Victor é uma freguesia completamente adiada. Queremos mais qualidade de vida, temos medidas de apoio à família, medidas de reabilitação urbana, desde Avenida Central até à Universidade, criar novos pontos de atractividade, numa freguesia com sonhos adiados. À data de hoje não temos Sete Fontes, não temos Confiança, não temos a Escola Francisco Sanches, tudo um conjunto de investimentos públicos que podiam incentivar a reabilitação urbana e dinâmica económica, cultural e social da freguesia”, frisou.
Firmino Marques, da Coligação Juntos por Braga, elogiou um “debate que permite ouvir a diversidade de opiniões”, recordou um antes e depois da coligação ter chegado à governação da junta e a distinção obtida em 2008/09 “pela qualidade na área da sustentabilidade local”. “O que se passou a fazer revolucionou a forma de governar as freguesias”, acrescentou. “Estamos disponí- veis para acompanhar as respostas com as instituições e com o município e todos os que contribuem no terreno para responder às pessoas de forma positiva. Estamos disponíveis para, em partilha, resolvermos os problemas às pessoas. As pessoas conhecem-nos temos uma marca de 20 anos com qualidade e um conhecimento sistemático de que o que foi feito foi bem feito e o que falta fazer será também bem feito”, realçou.
Convicto “que é possível fazer melhor”, João Melo, da CDU, criticou o actual executivo considerando que “devia ter tido uma postura mais assertiva, na reclamação para mais competências, porque é esta transferência que permitirá dar respostas mais céleres e ágeis”.
O candidato do Chega, Maurício Borges, espera que a população “ouça o debate” e lembra que defendem “tudo o que é bom para a freguesia”, combatendo “o que está mal”, como o trânsito caótico e a falta de estacionamento na Praça do Bocage.
Do lado do Bloco de Esquerda, Catarina Afonso espera que o debate “chegue a muitos eleitores e os faça ir votar no dia 26”. “Falta estratégia para a mobilidade, manutenção dos espaços verdes e temos a poluição no rio Este. A visão do BE é melhorar a qualidade de vida dos cidadãos, queremos uma freguesia de futuro, em que é inclusiva e solidária”.

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