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Stina Heikkilä,: “Braga tem uma forte liderança política para atingir os ODS”
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Stina Heikkilä,: “Braga tem  uma forte  liderança política  para atingir  os ODS”

Entrevistas

2022-09-29 às 10h00

Joana Russo Belo Joana Russo Belo

Stina Heikkilä, especialista sueca da rede URBACT ´Global Goals for Cities’, esteve em Braga para participar na oitava ´Transnational meeting´, evento organizado pela rede. Perita na área da sustentabilidade, avalia a liderança política como um elemento fundamental para se atingirem os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na Europa.

Citação

CM - Como é que o URBACT decidiu apoiar uma rede relacionada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?
SH - Esta rede URBACT surge depois de termos identificado este tema como de elevada importância para as cidades. Sabemos que temos muito pouco tempo para cumprir esta agenda global a que nos propomos e, apesar de os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável terem sido definidos por todos os estados-membros da ONU, mais de metade dessas metas só serão alcançadas se trabalharmos a nível local. O URBACT é um programa que está a apoiar os municípios de toda a Europa a criar essa capacidade de trabalhar com os ODS, debruçando-se sobre os desafios actuais que as cidades enfrentam.
CM -?Quais os resultados que esperam alcançar e qual pretendem que seja o contributo das cidades?
SH - A rede foi lançada em Março de 2021 e termina no final deste ano. Durante este período, todos os municípios parceiros estão a desenvolver um plano de acção integrado para atingirem os ODS nas suas cidades. Para isso, estamos a seguir um processo comum, encontrando-se os municípios parceiros em diferentes etapas. Começamos por desafiar cada cidade a criar uma visão para o que pretendem alcançar até 2030 e, partindo desse pressuposto, vamos passo a passo definindo as metas para lá chegar. Identificámos formas de medir o progresso relativamente a essas metas e quais as acções que vamos realizar. Todos os municípios estão a desenvolver esse plano a nível local em conjunto com a sociedade civil da cidade, convidando as universidades, grupos de jovens, empresas, organizações não-governamentais e os próprios cidadãos a envolverem-se. É uma parte muito importante dos processo contar com uma participação activa da comunidade. Podemos dizer que o plano que irá resultar deste trabalho não é apenas do município, é co-criado por toda a sociedade.
CM - Braga é uma das cidades que está a implementar e monitorizar os ODS. Um desses exemplos, o Índice Municipal de Sustentabilidade, foi apresentado neste encontro. Essas políticas podem ser replicadas em outras cidades europeias?
SH - Tivemos oportunidade de conhecer o modelo de gestão desenvolvido por Braga e foi uma boa oportunidade para as outras cidades presentes trabalharem neste tópico, especialmente sobre como integrar a comunidade e medir o progresso efectuado. Conhecemos mais detalhadamente o relatório de sustentabilidade e o índice de sustentabilidade municipal, o que deu origem a uma discussão bastante profícua. No entanto, é preciso ter em conta que existem vários desafios que se colocam quando pretendemos imitar uma abordagem noutros países e cidades. Em Portugal, existe a vantagem de ter sido desenvolvido, com todos os municípios, uma estrutura comum de medidas que estão a ser monitorizadas e que se aplica a todo o território, o que é bastante vantajoso. Se, por exemplo, quisermos usar os mesmos dados na Grécia, temos de pensar como o podemos fazer. Temos de começar por analisar os dados que já estão a ser medidos em cada cidade e perceber como se relacionam com os indicadores incluídos no índice municipal aqui apresentado. Mesmo não sendo possível uma ‘transferência directa’, foram muitas as lições e boas práticas aqui apresentadas que podem ser adoptadas por outros países ou cidades. A experiência de Braga é muito completa e permitiu aos participantes ficarem com um exemplo de abordagem que podem replicar e ajustar.
CM - Braga é a única cidade portuguesa que integra esta rede URBACT...O que motivou a escolha da cidade?
SH -?Acima de tudo, Braga tem uma forte liderança política nesta área e um compromisso assumido do executivo municipal em atingir os ODS, com o próprio presidente da câmara a participar em várias discussões a nível europeu e internacional sobre o tema. Cada cidade parceira manifestou o interesse em participar nesta rede, apresentou o compromisso com a sustentabilidade e a sua experiência. Com base nestes factores, foram seleccionadas as 19 cidades parceiras deste projecto. Uma vez que estamos a trabalhar na elaboração de um plano de acção e queremos que seja entregue no final, é essencial ter apoio político para o traduzir em realidade. Essa foi, sem dúvida, uma das razões mais importantes para a escolha de Braga.
CM - Como avalia a implementação da política de sustentabilidade de Braga?
SH -?O que tenho observado é que em Braga existe uma excelente relação entre o município e a sociedade civil no desenvolvimento do plano de acção e na área da sensibilização. Por vezes é complicado para os cidadãos relacionarem-se com os ODS no seu dia-a-dia, pelo que é fundamental trabalhar nessas duas frentes. Para além da definição estratégica de acções e metas e formas de medir resultados, Braga tem mediadores que permitem às pessoas envolverem-se nestes tópicos e participarem activamente. Essa é uma com- binação que me parece muito promissora.
CM - O autarca Ricardo Rio tem reforçado a ideia de que os ODS são uma peça-chave para a recuperação da União Europeia...
SH -?Essa é uma mensagem muito importante que apoio totalmente e é algo que gostaríamos também que fosse um dos resultados visíveis do trabalho desta rede. Temos 19 cidades parceiras de vários países e com imensa diversidade entre si. Temos municípios com seis mil habitantes e outros com mais de 600 mil. Ainda assim, os ODS permitem que todos estejamos a trabalhar com esta linguagem partilhada que é uma ferramenta poderosa para a transformação das cidades e absolutamente crucial para o futuro da Europa. Estamos a apenas oito anos de 2030 e não devemos agora desviar a nossa atenção para outros modelos. Temos uma óptima estrutura no âmbito da qual as pessoas estão a trabalhar e que está realmente a ajudar as cidades a orientarem as suas estratégias de desenvolvimento. O que devemos fazer é garantir que os ODS se mantêm no radar da Europa e integrem os planos de recuperação e resiliência, o ‘green deal’ e a agenda 2030.

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