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Surtos activos em lares de Monção preocupam e adiam vacinação contra a Covid-19
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Surtos activos em lares de Monção preocupam e adiam vacinação contra a Covid-19

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Surtos activos em lares de Monção preocupam e adiam vacinação contra a Covid-19

Entrevistas

2021-02-10 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Surtos de Covid-19 activos em lares de idoso do concelho constituem a grande preocupação em Monção. Situação levou já ao adiamento da vacinação de utentes e funcionários.

É actualmente a grande preocupação a nível epidemiológico do presidente da Câmara de Monção: os surtos em alguns lares de idosos do concelho. “Temos três ou quatro situações preocupantes que também atrasam o processo de vacinação nessas instituições”, revela António Barbosa.
O concelho de Monção contabiliza um total acumulado de 1021 casos de Covid-19, dos quais 204 estão activos na comunidade. De acordo com os mais recentes dados divulgados pela ULSAM, o concelho tem já 787 recuperados mas lamenta a morte de trinta pessoas.

“Estamos em contraciclo com o que se passa no distrito porque só agora é começamos a ter surtos em lares. São três ou quatro situações que fazem com que a descida de novos casos em Monção não esteja a ser tão rápida como noutras localidades”, lamenta o edil, em entrevista ao Correio do Minho.
“Temos um desagravamento da situação epidemiológica, mas não tão acelerado como gostaríamos”, acrescenta António Barbosa, realçando que os lares de idosos sempre foram a maior preocupação da autarquia porque é lá que se encontram as pessoas que mais sofrem com a doença causada pelo novo coronavírus.
A situação nos lares do concelho levou mesmo ao adiamento da vacinação nos restantes lares.

Em Monção, o processo de vacinação contra a Covid-19 ainda arrancou no Centro Paroquial e Social de Barbeita, mas ainda não chegou às restantes instituições com lares de terceira idade “devido à existência de surtos activos”.
Assim, ainda estão por vacinar utentes e funcionários dos lares da Santa Casa da Misericórdia do Monção (o maior do concelho), do lar do Centro Paroquial e Social de São Pedro de Merufe e do lar do Centro Social de Paderne.
O autarca não esconde a preocupação face a estes surtos activos, lembrando que a Covid-19 tem sido grave sobretudo para as as pessoas de mais idade.

Entretanto, numa parceria com a ULSAM, o Município já tem preparado o centro de vacinação onde vai ser administrada a vacina às pessoas incluídas neste segundo ciclo da primeira fase do plano nacional de vacinação, a doentes de risco e a maiores de 80 anos. “Está tudo preparado, com grande capacidade e disponibilidade para vacinar até de outros localidades, falta é começar a vacinar”, revela António Barbosa.
O edil, ontem de manhã, ainda não tinha informação sobre quando se iniciará esta nova fase da vacinação contra a Covid-19, realçando que a autarquia, da parte que lhe compete, tem tudo preparado.

Fronteira tem horário desfasado da realidade

No Alto Minho, o atravessamento da fronteira durante 24 horas apenas está autorizado em Valença. Em Monção há um ponto de passagem que está disponível nos dias úteis, das 7 às 9 e das 18 às 20 horas, horário que segundo o edil “não resolve nada” porque “está desfasado da realidade”.
As fronteiras foram repostas como medida para combater a propagação da Covid-19, decisão que o presidente da Câmara de Monção não contesta porque tem consciência que a situação epidemiológica do país é grave.
No entanto, lembra que é necessário acautelar a situação das muitas centenas de trabalhadores transfronteiriços que diariamente têm de atravessar a fronteira. “Só quem não tem noção da realidade transfronteiriça toma decisões sem ouvir ninguém, sem ouvir quem está no terreno e conhece a realidade”, afirma António Barbosa, dando como exemplo que o horário em que abre o ponto de passagem em Monção “não serve à grande maioria” dos trabalhadores transfronteiriços.

“Muitos minhotos atravessam a ponte para trabalhar na Galiza, sendo que a grande maioria trabalha em fábricas. Muitos entram ao serviço às 6 horas da manhã. Ou seja, o horário da fronteira não serve para ir trabalhar, nem para regressar a casa”, refere, adiantando ainda que mesmo os trabalhadores que “faziam o horário dito normal, devido à pandemia estão agora a fazer jornadas contínuas” pelo que o horário para passagem também não lhes serve.
O autarca lembra que as fronteiras do Alto Minho registam 50% do movimento entre Portugal e Espanha e que dos oito pontos fixos para o atravessamento durante 24 horas, apenas um fica no Alto Minho, em Valença.
Para o autarca, apenas medidas economicistas justificam esta situação. “Em Monção temos a logística toda montada e era possível ter a fronteira aberta em permanência”, defende, realçando que os municípios já demonstram disponibilidade para ajudar no controle das passagens. “Há trabalhadores transfronteiriços a percorrer agora, diariamente, 150 ou 200 Km para trabalhar, já para não falar do tempo que perdem em viagem e da despesa acrescida com o combustível. É lamentável que isso aconteça, sobretudo numa altura de crise económica”, lamenta o edil.

“Tenho expectativa que tudo melhore até ao Verão”

O presidente da Câmara de Monção tem a expectativa de que até ao Verão a situação volte a normalizar. No entanto, António Barbosa alerta que o mais importante para garantir o regresso à normalidade “é a forma como vamos desconfinar”. O autarca considera importante que empresas e famílias retomem a vida normal, mas isso só será possível controlando o contágio.Demonstra ainda esperança nos efeitos da vacinação para o ansiado regresso ao normal.

“Em cada dez famílias, há três a pedir ajuda. E vai piorar!”

Depois de em 2020 ter avançado com um plano de apoio, no valor de um milhão de euros, para “amenizar” o impacto da pandemia, a Câmara Municipal de Monção volta agora a implementar um conjunto de medidas de apoio para as famílias, IPSS comerciantes e empresários afectados pela crise económica causada pela Covid-19.
As medidas têm como finalidade amenizar as dificuldades de tesouraria sentidas pelas famílias e empresas monçanenses neste período adverso, procurando encorajar a desejada retoma económica.
Na primeira vaga da pandemia, na Primavera de 2020, “registou-se um aumento dos pedidos de ajuda que chegaram aos nosso serviços de apoio social, porém, desta vez os pedidos de ajuda são muitos mais”, revela António Barbosa, que antevê que a situação se venha a agravar ainda mais com as consequências da paragem da economia necessária para mitigar a propagação do contágio.
“Desta vez, por cada dez pedidos de ajuda que nos chegava na primeira vaga agora chegam mais 20 ou 30. Em cada dez famílias, há três a pedida ajuda”, considera o autarca que atribui a situação, sobretudo, ao aumento do desemprego.

Segundo os dados do IEFP, Monção, no final de Dezembro de 2020, tinha 435 desempregados inscritos no centro de emprego, mais 126 pessoas do que no mesmo mês do ano anterior.
Com os pedidos de ajuda das famílias a aumentar e o tecido empresarial em dificuldades, a Câmara liderada por António Barbosa volta a avançar com um amplo pacote de medidas de apoio.
“Mediante a evolução da economia local, decorrente do contexto pandémico, as medidas agora implementadas poderão ser reforçadas”, admite o edil.
Relativamente aos apoios às famílias, destaca-se a manutenção e reforço da entrega de cabazes alimentares a famílias sinalizadas e o apoio alimentar aos alunos de famílias mais vulneráveis, levando, em alguns casos, as refeições aos domicílios das crianças.

António Barbosa realça ainda que a autarquia tem em funcionamento uma linha telefónica de apoio às famílias.
Nos apoios ao comércio destacam-se a isenções, a aplicar de Janeiro a Abril, no pagamento das tarifas de disponibilidade de água, dos resíduos sólidos urbanos, e do saneamento.
O edil realça ainda a isenção de pagamento, durante o ano de 2021, das taxas municipais de ocupação de espaço público (esplanadas e publicidade), bem como as restantes taxas municipais decorrentes da actividade comercial.
De Janeiro a Abril, estão também em vigor a isenção das rendas dos imóveis propriedade do Município e do pagamento das tarifas dos lugares de feira e mercado.

Relativamente às instituições, a Câmara decidiu antecipar o pagamento do subsídio às instituições sociais do concelho e aos Bombeiros Voluntários de Monção, sempre que se mostre necessário.
“Também continuamos a entregar equipamento de protecção individual e material de higienização a todas as instituições sociais do concelho, profissionais de saúde e elementos da protecção civil”, acrescenta o edil, acrescentando que a autarquia também continua a realizar testes de rastreio à Covid-19 “sempre que se justifique, seja por precaução ou apresentação de sintomas, a utentes e funcionários de todas as instituições sociais, profissionais de saúde e da protecção civil”.

A Câmara de Monção mantém ainda uma bolsa de voluntariado com elementos das associações locais e da própria autarquia para colaborar com as instituições sociais. Também se mantém o apoio logístico ao Centro de Saúde, aos Bombeiros Voluntários e às IPSS.
Apesar da lista de medidas de apoio ser extensa e ter um custo significativo para as contas da autarquia — tanto a nível de investimento directo como das receitas que perde pelas isenções concedidas — António Barbosa tem consciência que não são suficientes para acorrer à situação aflitiva com que muitas empresas dos diversos sectores se deparam.
“Estamos a dar as ajudas dentro das nossas competências, porque as grandes respostas aos problemas têm de ser dadas pela Administração Central”, lembra o presidente.

Câmara garante ensino à distância a 150 famílias

São 150 as famílias do concelho de Monção com computadores disponibilizados pela Câmara Municipal e que estão a permitir aos alunos desses agregados acompanhar o ensino à distância.
O número é considerável se tivermos em linha de conta que estamos a falar de um concelho com 18 mil habitantes.
Até agora, pelo que sabe o presidente da Câmara, ainda não chegou ao concelho qualquer computador “daqueles que foram prometidos pelo Governo”, denuncia o edil.
Ou seja, se não fosse a autarquia, muitas dezenas de alunos monçanense não teriam condições para acompanhar o estudo à distância. Além de computadores, em muitos casos é também o Município que garante o acesso à internet.

E todos os dias chegam novos pedidos de apoio ao estudo à distância, relata o edil, lembrando que há famílias que até tem computador, mas que com dois ou três filhos na escola não conseguem ter equipamentos para todos.
Tal como na primeira vaga da pandemia, a Câmara de Monção acompanha a evolução da situação nas escolas. Também o fez no decorrer do ensino presencial, nos últimos meses.
Recorde-se que antes do início deste segundo confinamento a Câmara realizou testes de rastreio à Covid-19 a todos os docentes e funcionários das escolas concelhias. “Em mais de 300 testes tivemos apenas três positivos”, refere António Barbosa, considerando que o resultado da testagem mostra que a comunidade educativa, concretamente adulta, tinha os devidos cuidados para evitar o contágio.

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