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Tudo e todos à volta de um tabuleiro de jogo
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Tudo e todos à volta de um tabuleiro de jogo

Braga

2010-03-11 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Formandos do curso nocturno de Educação e Formação de Adultos (EFA) da EB2,3/S Vieira de Araújo, em Vieira do Minho, são os ‘protagonistas’ dos jogos romanos de tabuleiro no agrupamento. Em parceira com curso profissional de dia, os jogos têm chegado a todos.

Das mãos dos formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) nocturno até aos alunos do primeiro ciclo do agrupamento de escolas Vieira de Araújo, em Vieira do Minho, foi um ‘abrir e fechar de olhos’. Os jogos romanos já conseguiram juntar todo o agrupamento à volta de um tabuleiro.

“Esta escola introduziu um factor novidade de relevar. Os formandos construíram os jogos, exploraram as competências sociais, aprenderam as regras e, depois, foram introduzidos os conteúdos matemáticos, para além da história dos jogos”, começou por explicar o professor Paulo Morais, mentor do Torneio de Jogos Romanos de Tabuleiro. Na sala de aula, os formandos viveram momentos interessantes. “Começavam a ter uma conversa com linguagem comum e, de repente, estavam todos a debater com uma linguagem matemática”, evidenciou.

Este “excelente exemplo” está a ser articulado com as turmas de curso EFA nocturno e o Departamento de Matemática e de Ciências de Natureza do agrupamento. “Os tabuleiros e as pe- ças construídos pelos formandos dos cursos EFA nocturno passaram para os alunos do 10.º ano do curso profissional diurno, que fazem a promoção dos jogos no ensino regular”, frisou Paulo Morais, sublinhando o facto de “para além de se fazer a promoção na sede do agrupamento, fez-se itinerância pelas escolas do primeiro ciclo”. E atirou: “os alunos e formandos cumpriram na perfeição o objectivo do torneio de unir toda a escola. Os alunos do curso profissional andaram em itinerância a promover os jogos na sede do agrupamento bem como nas escolas do primeiro ciclo”.

A escola já está envolvida com o Campeonato Nacional de Jogos de Matemática e com os jogos romanos. “Não só integramos os jogos no currículo destes cursos no Tema de Vida ‘Património’ como em módulos específicos, que proporcionam o raciocínio matemático. É excelente pegar em jogos de estratégia e tivemos um módulo inteiro que foi dado só com os jogos”, referiu o professor, salientando que “os formandos fizeram o levantamento dos jogos que conheciam e mais uma vez está o lúdico não formal a promover a aprendizagem formal”.

Além disso, o projecto permitiu promover a intergeracionalidade. “Perante um tabuleiro de jogo promoveu-se a intergeracionalidade de adultos e crianças e têm-se vivido momentos de convivência sã”.
Entretanto, Valter Alves, mediador do curso EFA B3, curso que dá equivalência ao 9.º ano de escolaridade, admitiu que “este projecto tem mérito ao ser inserido num Tema de Vida, designado ‘Património’ e na perspectiva de ligar a Matemática à História”. E o mediador Valter Alves salientou, ainda, o facto de toda a gente considerar “a Matemática como algo chato e esta é uma forma de pôr as pessoas a trabalhar a Matemática com algo muito atractivo. Os professores têm assim uma forma de cativar neste caso os adultos para esta competência”.

Os formandos, ainda segundo aquele responsável, “estão muito empenhados e motivados e o protagonismo é dado a eles. E Valter Alves foi mais longe: “os formandos têm aderido muito bem, o trabalho está à vista. Há entusiasmo extremo e muita autoconfiança”. Até porque “é a primeira vez que se usa esta estratégia de jogos na formação de adultos e, sem dúvida, “é uma boa forma de motivar para a Matemática, que é uma batalha brutal, mas depois acaba por este monstro desaparecer”.

O professor de Matemática do ensino diurno, Domingos Soares, partilha da mesma opinião. O professor que está a fazer a ‘ponte’ com os alunos do 10.º ano do curso profissional diurno e os formandos do curso EFA nocturno admitiu que se “conseguiu juntar o útil ao agradável”. E justificou: “os alunos quiseram logo conhecer os jogos e as regras e fizemos a divulgação. Sentiram-se bastante motivados e tem sido uma experiência muito agradável. E acredito que não incentivamos e cativamos apenas para a Matemática, mas, também, trabalhamos uma série de domínios e vertentes”.
Domingos Soares evidenciou, ainda, que “ensinar através do jogo é muito positivo e até combate em termos de indisciplina, porque as crianças sabem que têm que cumprir as regras”.

“Estamos orgulhosos do nosso trabalho”

Depois de construírem os tabuleiros e as peças e de aprenderem as regras, os formandos do curso de Educação e Formação de Adultos (EFA) da EB2,3/S Vieira de Araújo, em Vieira do Minho, depressa passaram a mensagem para todos os alunos do agrupamento.
Paulo Afonso e Lurdes Matos são apenas dois dos formandos que estão a concluir o curso EFA, equivalente ao 9.º ano.

“Esta experiência tem corrido muito bem. Nem sabia que se aprendia Matemática com os jogos. Nunca pensamos que íamos chegar a este ponto. Nem conhecíamos os jogos romanos”, confidenciaram os formandos. E Lurdes Matos atirou: “quando o professor abordou este tema, imediatamente veio à mente ‘Mas os romanos também jogavam?’. Não imaginávamos que tinham tantas regras”, confidenciaram.

Depois da visita ao Museu D. Diogo de Sousa, os formandos puseram “mãos à obra”. “Utilizámos material reciclável e reutilizámos muita coisa, por exemplo, as peças do tabuleiro do jogo do soldado são tampas de garrafas de água e iogurtes”, contaram Paulo e Lurdes.

Para além de aprender os jogos e a sua história, os formandos sentem-se “orgulhosos” do trabalho realizado. “Estamos a achar a experiência muito interessante e o facto de conseguirmos motivar e sensibilizar os mais novos para esta dinâmica está a deixar-nos muito entusiasmados”. E os formandos foram mais longe: “temos sentido um feedback muito positivo e os alunos têm elogiado os nossos tabuleiros, que estão muito bem feitos”.

A trabalhar há dois meses neste projecto, os formandos “nunca” pensaram que iam aprender Matemática através dos jogos romanos. “Quando estamos a jogar, depressa ficamos alheados de tudo e damos connosco a falar de Matemática”.
O facto dos tabuleiros já terem chegado a filhos e até a netos de muitos formandos, também está a tornar a experiência “engraçada”.

Entretanto, estes jogos de ta- buleiro vão ser incluídos em formato de demonstração na Feira Medieval que se vai realizar na escola EB2,3/S Vieira de Aráujo, nos dias 24 e 25 de Maio. Os elementos da turma vão participar, ainda, vestidos a rigor.

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