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Um bracarense “apressou” a República
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Um bracarense “apressou” a República

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Um bracarense “apressou” a República

Braga

2020-10-04 às 06h00

Marlene Cerqueira Marlene Cerqueira

Joaquim da Silva Gomes profere amanhã a conferência ‘O bracarense que apressou a República’, onde vai contar, entre outros factos, como o homicídio do médico Miguel Bombarda acelerou a implantação da República. O assassina era bracarense.

‘O Bracarense que apressou o 5 de Outubro de 1910’ é o tema de mais uma conferência do Ciclo ‘Braga por um Olhar’, a proferir pelo historiador e escritor Joaquim da Silva Gomes. A conferência decorre amanhã, pelas 21 horas, através das redes sociais da Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva (canal de YouTube e facebook).
No dia em que se assinalam exactamente 110 anos da implantação da República em Portugal, Joaquim da Silva Gomes vai lembrar que o regime Monárquico durou em Portugal 782 anos, correspondentes ao período que vai da batalha de S. Mamede, em 1128, até 1910.

“Se realizássemos um filme sobre a história de Portugal, com duração de 60 minutos, e se dividíssemos esse filme em duas partes, sendo a primeira a Monarquia e a segunda a República, a primeira sobre a Monarquia teria uma duração de 52 minutos e a segunda a duração de 8 minutos”, realça o historiador.
Joaquim Gomes vai explicar que a implantação da República constituiu o culminar de um conjunto de acontecimentos que marcaram a última década do séc. XIX e a primeira do séc. XX.

Uma das primeiras tentativas de derrube da Monarquia foi realizada no Porto, na madrugada de 31 de Janeiro de 1891, quando uns “…grupos de sargentos fizeram sair dos quartéis alguns regimentos da guarnição do Porto…”. Com facilidade as tropas leais ao rei D. Carlos acabaram com esta tentativa de instauração da República e prenderam, de imediato, os revoltosos.
Posteriormente, a 1 de Fevereiro de 1908, Manuel Buiça e Alfredo Costa assassinaram o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro D. Luís Filipe, deixando a nação e principalmente os monárquicos em estado de choque.
O jovem rei D. Manuel II, de 18 anos, tudo fez para alterar esta tendência republicana que aumentava na sociedade portuguesa. Contudo, após o regicídio, os próprios defensores da monarquia sentiram que o regime estava nos seus últimos momentos.

O assassinato do médico e influente republicano Miguel Bombarda, veio contribuir ainda mais para o desencadear da revolução republicana.
Para além de se notabilizar na área da medicina, Miguel Bombarda foi também um grande opositor ao regime monárquico, que o achava responsável pela crise que o país atravessava. Foi, ainda, um dos grandes mentores da revolução republicana que a qualquer momento poderia eclodir em Portugal.
A morte de Miguel Bombarda causou grande perturbação em Portugal, também, pela forma como ocorreu: foi assassinado a 3 de Outubro de 1910, no seu próprio consultório e por um seu doente - um bracarense.
O autor da morte de Miguel Bombarda foi Aparício Rebelo dos Santos, nascido em Braga a 5 de Julho de 1878.

Joaquim Gomes lembra que o assassino de Miguel Bombarda (crime ocorrido a 3 de Outubro de 1910, no consultório do médico) é considerado, por muitos, como o doente mais célebre da história da psiquiatria do país.
Já na República, outros bracarenses desempenharam um papel de grande destaque a nível nacional, realça ainda Joaquim Gomes.
Um deles foi Domingos Leite Pereira, sendo eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte, em 1911. Foi membro da direcção do Partido Republicano Português e líder dos deputados deste partido na Câmara dos Deputados. Foi também eleito Presidente da Câmara dos Deputados. Foi também um hábil ministro, destacando-se nas pastas das Colónias, dos Negócios Estrangeiros, do Interior e ainda da Instrução Pública.
Liderou ainda três dos governos da Primeira República.
Domingos Leite Pereira foi ainda presidente da Câmara de Braga. Foi um dos mais ilustres políticos bracarenses de todo o século XX.
O outro bracarense foi Manuel Monteiro, que foi nomeado governador civil de Braga de Outubro de 1910 até Junho de 1913.

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