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Um cabaz que transborda amor e muita esperança
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Um cabaz que transborda amor e muita esperança

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Um cabaz que transborda amor e muita esperança

Braga

2020-04-05 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Junta de Freguesia de S. Victor está a desenvolver o programa ‘Freguesia Cuidadora’. Para além de entregar cabazes com bens alimentares às famílias sinalizadas, as equipas de voluntários vão às compras e levam a casa dos seniores alimentos e medicamentos.

Os sacos e os cabazes não levam só comida. Levam muito mais. A ‘encomenda’ é simples, mas poderosa. Para os voluntários e para quem mais precisa. A coragem, a responsabilidade e, sobretudo, muito amor e esperança. Estes são os ingredientes que não faltam em cada entrega. Mais de 100 famílias já foram apoiadas nos últimos 15 dias pela Junta de Freguesia de S. Victor.
Depois de sinalizar as famílias e de preparar os cabazes com bens alimentares, o presidente da Junta de Freguesia de S. Victor, Ricardo Silva, equipa-se com dois voluntários para sair à rua. Os outros voluntários continuam a tarefa de fazer cabazes ou ir às compras, se for necessário. Com o máximo cuidado e com os equipamentos de protecção individual vestidos, começam a visita diária aos cidadãos da freguesia. “Reiteramos o nosso compromisso. Nós estamos na rua para que os nossos seniores possam ficar em casa, em segurança. Mas também vamos entregar cabazes a quem mais precisa”, contou Ricardo Silva.

A carrinha da Junta de Freguesia de S. Victor vai circulando pelas ruas com as mensagens sonoras para incentivar os cidadãos a protegerem-se.
A primeira paragem é em casa de Maria (nome fictício). Maria tem 53 anos e está de baixa prolongada por motivos de saúde. “Às vezes já tenho ajuda da junta de freguesia, mas precisava mesmo é de uma casa porque a situação está mesmo muito complicada”, desabafou Maria, admitindo que “mais do que nunca” precisa de ajuda, até porque gasta muito dinheiro na farmácia. “O cabaz de bens alimentares é muito bem-vindo para mim e para os meus filhos”, aplaudiu.

Os voluntários apoiam como podem e dão palavras de esperança. Que o diga Ana Pereira, uma das 10 voluntárias da equipa, que neste momento está a apoiar. “Gosto muito de ajudar, mas voluntariado deste género é a primeira vez que estou a fazer”, contou a assistente operacional, que tem 40 anos e mora na Sé. “Está a ser uma experiência extraordinária. As pessoas sentem-se acarinhadas e só o olhar delas diz tudo”, confidenciou Ana, mostrando-se grata por tudo o que está a viver. “Não tenho medo, faço com muita vontade de ajudar não só a entregar os bens alimentares ou os medicamentos, mas também a deixar uma palavra de esperança, de amor e de conforto”, contou.
Seguimos viagem e com a carrinha da Junta de Freguesia de S. Victor, que vai circulando pelas ruas, aproveita-se para anunciar mensagens sonoras para incentivar os cidadãos a protegerem-se.

As equipas têm que ter o colete e o crachá a dizer ‘Junta Freguesia S. Victor’, para evitar as fraudes e as burlas. A “grande motivação” do presidente da junta de S. Victor em acompanhar estas visitas deve-se ao facto de “dar confiança nestas acções e validar a vontade de continuar a trabalhar para as pessoas, em proximidade, todos os dias do ano”, acrescentou o presidente da junta de freguesia.
“Os últimos 15 dias têm sido assim, entre ir às compras, recolher alimentos, fazer cabazes, sinalizar as pessoas e entregar cabazes”, atirou o autarca, enquanto conduzia a carrinha em direcção à casa da próxima família.

“Tem sido um desafio, ninguém estava preparado para esta fase. Como sempre tivemos uma matriz social muito forte, com muito conforto continuamos a fazer o apoio aos fregueses, mitigando as primeiras carências, mas levantam-se preocupações imensas para o futuro próximo”, alertou o autarca, confirmando que “as situações não são novas, mas chegam em muito maior número”, por isso, a estratégia da junta de freguesia terá que ser “afinada todos os dias para se conseguir responder a todos os casos”.
Batemos à porta de Rosa (nome fictício). Abre a porta e recebemos um sorriso com os olhos cheios de água. “Obrigada pela ajuda, que é tão preciosa”, atirou de imediato.


Rosa está sem emprego desde Fevereiro e mora com o filho, de 15 anos, que tem problemas respiratórios. “A empresa meteu mal os papéis do desemprego e preciso de ajuda a nível financeiro”, apelou.
Visivelmente emocionada estava também a voluntária Renata Faria. Com 29 anos, a jovem de Figueiredo, que também é autarca e participa em várias acções de voluntariado, confessou que não hesitou na hora do repto lançado pela junta de S. Victor. “Está a ser uma experiência muito enriquecedora, porque estamos a ajudar quem precisa. Saio de casa com o sentimento de me proteger e proteger os outros, mas é um reconforto para mim saber que estou a dar o meu melhor pelo bem de alguém”, relatou.
A viagem prosseguiu até à casa de outra família que precisa de ajuda...

Casal celebra 56 anos de união sem festa e sozinho em casa


Estão sós e hoje celebram 56 anos de casamento. A festa fica para o ano. Hoje ficam sem os abraços e os beijos dos filhos e dos netos, que serão substituídos por chamadas telefónicas. São 56 anos de um “casamento com altos e baixos”, confessou António entre sorrisos, mas “sem nunca pensar que uma coisa destas fosse acontecer”.
Sempre bem dispostos, António Oliveira conta com 76 anos e a esposa Maria Machado já completou 82 anos. Vivem no Bairro da Alegria e pediram ajuda à Junta de Freguesia de S. Victor para lhes comprar bens alimentares. E assim foi. Por estes dias, o casal recebeu, com um sorriso na boca e um olhar emocionado e agradecido, os voluntários que lhe foram entregar a ‘encomenda’. “Já temos fruta, pão e medicamentos para algum tempo”, contou António Oliveira, agradecendo o gesto. “Estou muito orgulhoso por pertencer à Junta de Freguesia de S. Victor”, assumiu o doente de risco, que sofre de insuficiência pulmonar e não pode mesmo sair e casa.
“Ainda ia dar a minha voltinha todos os dias e sinto falta, a minha mulher já é mais de estar em casa”, desabafou António, lamentando que este ano, a festa ia ser diferente. “Vamos ser só nós os dois” disse à esposa com um sorriso no olhar.

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