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Entrevistas

2021-01-10 às 06h00

Patrícia Sousa Patrícia Sousa

Filipe Maia é psicólogo na delegação de Braga da Cruz Vermelha e está a desenvolver o projecto que ‘casa’ a Psicologia com caminhadas. Walk2Believe é um dos projectos incubados no Centro de Inovação Social de Braga - Human Power Hub.

“O primeiro propulsor do ser humano não é o prazer, mas sim a busca de um sentido de vida.”
in Viktor Frankl

Além do porquê, a questão é como ajudar pessoas em situação de stress ou que se encontram à deriva? Como acompanhá-las no caminho do reequilíbrio pessoal, profissional e familiar? Estas são as questões que o projecto Walk2Believe propõe responder através de “uma intervenção inovadora que consiste numa experiência absolutamente transformativa que poderá ser vivida isoladamente, em grupo ou em equipa”, explicou o responsável do projecto que está incubado no Centro de Inovação de Braga - Human Power Hub (HPH). Filipe Maia, espera arrancar o projecto em Maio ou Junho, fazendo Psicologia enquanto caminha com a pessoa.

O também psicólogo da delegação de Braga da Cruz Vermelha tinha uma familiar com depressão e decidiu desafiá-la a fazer o Caminho de Santiago. “Na altura, estava a fazer uma pós-gradução em Lisboa e alguns professores apoiaram-me para fazer alguns trabalhos de psicologia positiva”, contou. Os resultados foram “tão bons e animadores”, que Filipe Maia decidiu replicar a experiência em grupo com três sem-abrigo que são acompanhados na delegação de Braga da Cruz Vermelha. “A experiência foi igualmente fantástica. Aqui percebi que tínhamos potencial para apostar, ajustando algumas dinâmicas e exercícios podíamos aproveitar o potencial que existe no Caminho de Santiago para fazer ao mesmo tempo Psicologia”, confidenciou.
Do “sonho” de agarrar esta experiência e transformá-la em ideia de negócio foi um passo.

O projecto não tem como base necessariamente o Caminho de Santiago, mas o psicólogo tem apostado nesta vertente porque já existe uma logística montada e depois tem o simbolismo de chegar a Santiago de Compostela. “Não tem nada de religioso, mas é o simbolismo de chegar ao fim e à meta. É um sentimento muito bom”, defendeu.
Das experiências entretanto realizadas, o feedback é muito positivo. “Trata-se de um projecto inovador, que retira a pessoa do seu contexto diário e faz essa ruptura dos problemas do dia-a-dia. Aqui o contacto com a natureza e com outras pessoas acabam por obrigar os participantes a relativizarem os problemas, obrigando-os a ser os actores da própria transformação e a superarem-se a si mesmos. Obriga a relativizar, a superar, a manter relações positivas, a ser solidário, algo que estando mergulhado nos problemas não se consegue fazer”, justificou.

Experiência é sempre transformadora

Filipe Maia tem consciência que a proposta, no contexto em que pretende actuar, é “ousada”. Mas os benefícios pessoais, de grupo e até organizacionais estão à vista. Com o projecto WalK2Believe, Filipe Maia acredita que “percorrer longas distâncias a pé com um psicólogo, durante vários dias, reflectindo e dedicando tempo apenas para eles próprios pode trazer inúmeros benefícios”.
A Psicologia, defendeu Filipe Maia, “não é só feita numa secretária e se se quer resolver problemas é preciso fazer coisas diferentes e inovadoras. Não ter medo de arriscar, quem vive esta experiência não sai indiferente dela, há sempre uma transformação”, garantiu o psicólogo.

Com as caminhadas, os participantes serão os “actores reais da sua recuperação”. “As estratégias usadas ajudarão a reduzir a ansiedade e a proporcionar mais energia para se concentrar no que é realmente importante”, referiu o responsável pelo projecto, admitindo que a relevância desta intervenção reside nos “benefícios individuais esperados da caminhada, na ruptura com o ambiente anterior da pessoa, bem como no suporte personalizado fornecido”.
Aqui surgem como benefícios pessoais o desenvolvimento de competências e sinais visíveis no aumento dos índices de bem-estar e de satisfação com a vida. Com a possibilidade de fazer estas caminhadas em contexto empresarial, Filipe Maia destaca que os participantes podem beneficiar com “a criação e gestão de lideranças positivas; com impacto na queda do absentismo e na optimização dos índices de bem-estar e de realização profissional”.

Contrariando a “resistência para o que foge do padrão habitual do exercício da Psicologia”, Filipe Maia acredita que apostar em pessoas sob efeito negativo do stress pode reverter a sua condição através de um feito extraordinário como o é fazer o Caminho. Em França, já existe uma associação que faz um trabalho educativo com jovens, que são acompanhados por voluntários durante o Caminho de Santiago. “Eu aposto em adultos e é o psicólogo que acompanha a pessoa antes, durante a caminhada e depois”, referiu Filipe Maia.

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