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Entrevistas

2020-02-10 às 06h00

Marta Amaral Caldeira Marta Amaral Caldeira

É ex-bombeiro mas continua a sonhar com esse mundo ‘em miniatura’, que um dia gostaria de ver exposto numa grande sala de Braga. Aos 67 anos, José Rodrigues também ex-chefe dos Bombeiros Sapadores de Braga, mantém a sua gigantesca colecção de miniaturas alusiva aos bombeiros do país e do estrangeiro, prolongando-a numa grande colecção de selos,que o fazem discorrer horas a fio.

São milhares e milhares de carros de bombeiros, figuras de bombeiros em miniatura, de selos alusivos aos bombeiros de vários países, livros e uma data de relíquias que José Rodrigues, 67 anos, ex-bombeiro bracarense, arrecada sagradamente naquele que é o ‘santuário’ da sua casa, no Areal, em Braga.
O ‘amor’ pelo coleccionismo dura até aos dias de hoje e garante que a sua colecção “tem uma valor inestimável”.
A ‘paixão’ pelo coleccionismo de tudo o que diz respeito aos bombeiros, portugueses e estrangeiros, ganhou-a assim que ingressou na carreira, ainda enquanto bombeiro voluntário em Braga, na década de 70 do séc. XX. Tinha 18 anos.

“Mal entrei para os bombeiros comecei logo com a minha colecção de figuras de bombeiros, até porque já havia algumas pessoas que fui conhecendo que se dedicavam ao coleccionismo e o ‘bichinho’ foi ficando. Depois da tropa ingressei nos Bombeiros Sapadores de Braga e fui continuando sempre com as minhas colecções”, recordou o ex-chefe dos Bombeiros Sapadores, em entrevista ao jornal ‘Correio do Minho’.
“No início não foi fácil, porque apenas encontrava as figuras de bombeiros nas feiras e nas festividades do São João de Braga. Fui muitas vezes a Barcelos, onde conseguia encontrar sempre algum figurado relacionado com os bombeiros e com as suas acções.

Depois, muito mais tarde, comecei a ficar ‘expert’ na matéria (risos) e a ter contactos, também através de outros coleccionadores, que me deram ‘dicas’ para aumentar a minha colecção, o que fui fazendo com muito material também que fui adquirindo e construindo, peça a peça, e com muito que me foram enviando lá de fora também”, contou o coleccionador, vigorosamente entusiasmado por falar abertamente da sua grande ‘paixão’.
Foi também preciso muito investimento da sua parte, não só de tempo. Financeiro.
“Quando fui para os Bombeiros Sapadores já tinha mais algum dinheiro no bolso para me poder dedicar também a esta ar-te das colecções, embora não pudesse esticar muito a corda”, lembrou, recordando que, na altura, deixou de fumar e o dinheiro que outrora gastava nos cigarros, canalizou-o para comprar mais artigos para a sua colecção.

“Gostava de fazer uma grande exposição em Braga”

É com o entusiasmo de sempre que olha para cada peça da sua colecção e é com o máximo cuidado que retira um ou outro exemplar de uma vitrine, que juntamente com estantes repletas de pequenas e grandes preciosidades, forram uma parede da sala, alastrando-se para as escadas de acesso ao piso inferior da habitação do ex-bombeiro Rodrigues.
Exibe, na mão, um capacete de bombeiro francês que alguém terá usado na 1.ª Guerra Mundial e mostra uma peça em bronze com a imagem do bombeiro com esse capacete, que outrora estava à soleira da porta para indicar que ali morava um bombeiro. São inúmeras as curiosidades que sabe e que gosta de contar. Histórias que retratavam a evolução que os corpos de bombeiros tiveram, contada através das peças e dos selos que José Rodrigues foi angariando.

A colecção de selos é extensa. As imagens contam o quotidiano dos bombeiros durante décadas com diferentes equipamentos. Bombeiros em acção, com cães, a puxar carros, a apagar incêndios, a exibir material que usavam até aos barcos de bombeiros usados para apagar incêndios nas explorações petrolíferas. Tem até selos de uma edição especial dedicada aos bombeiros que combateram a tragédia nas Torres Gémeas, no 11 de Setembro.
Um dos selos de bombeiros que tem na sua colecção data de 1939. Mostra a imagem de uma ‘aguadeira’ da Tunísia, quando era ainda território francês. “Na época, as câmaras só passavam licença aos ‘aguadeiros’ (transportadores de água, sobretudo mulheres) na condição de auxiliarem os bombeiros quando houvesse fogos”, explicou o coleccionador. Um selo português com uma imagem semelhante exibe o ano de 1980.

Os selos contam que depois dos ‘aguadeiros’ vieram os ‘seringadores’ e depois surgiram as ‘bombas braçais’, cujos carros onde eram transportadas eram puxados por bombeiros, sendo mais tarde substituídos por mulas e cavalos. “A sua passagem para uma ocorrência era anunciada na frente por uma corneta e até os sinos das igrejas tocavam dando sinal de alarme”, contou José Rodrigues. Surgiram depois as ‘bombas a vapor’ e, mais tarde, os carros de bombeiros. O ex-chefe dos Bombeiros Sapadores pára numa das centenas de páginas da sua colecção filatélica e aponta para um selo que exibe na imagem um dos primeiros carros de bombeiros em Portugal, datando de 1900. “As viaturas dos bombeiros foram ficando cada vez mais espectaculares, como são, por exemplo, as maiores de todas, que estão nos aeroportos, com grandes capacidades”, disse, confessando que “gostaria de fazer uma grande exposição em Braga”.

“Esta colecção tem um valor inestimável”

A peça mais valiosa que detém na sua colecção alusiva aos bombeiros é um 1.º Prémio de Modelismo Americano - é uma miniatura de um carro de combate a incêndios ‘Chevrolet Howe’. Mas há outras peças de valor inestimável também como a peça de um carro de bombeiros francês em latão que lhe foi enviada por uma associação de utentes de síndrome de down. “Um dia, um pai e o filho, que tinha síndrome de down, visitaram o Quartel dos Sapadores de Braga e depois mandaram-me esta relíquia que o filho tinha feito com os colegas da associação e tem um grande significado para mim”, referiu.
O modelismo ajudou-o “muito” a aumentar a sua colecção de carros de bombeiros. “Comprava aquelas caixas cheias de peças e às vezes demorava um mês ou dois até conseguir montar um carro”, lembrou. Mas, entretanto, foi adquirindo sempre mais e mais. A última peça que montou foi um avião canadair.

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