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Viana do Castelo lança “clamor social” contra prospecção de lítio

Alto Minho

2020-02-16 às 11h00

Redacção Redacção

Manifestação “pacífica” de contestação à prospecção de lítio lançou um “clamor social” contra uma “hecatombe” e uma “ameaça” ambiental “sem precedentes” em Portugal.

Os participantes numa manifestação “pacífica” de contestação à prospecção de lítio que ontem decorreu em Viana do Castelo lançaram um “clamor social” contra o que consideraram ser uma “hecatombe”e uma “ameaça” ambiental “sem precedentes” em Portugal.
À Lusa, o comissário Costa Pereira, da PSP de Viana do Castelo, disse que o protesto, organizado por cinco movimentos cívicos do Alto Minho, Minho e Trás-os-Montes, contou com a participação de “250 a 300” pessoas. Já a organização apontou mais de 400 manifestantes.
A acção começou cerca das 9.50 horas, junto ao edifício da Agência Portuguesa do Ambiente - Administração de Região Hidrográfica Norte, junto à ponte Eiffel de Viana do Castelo, percorreu em desfile as artérias da frente ribeirinha, numa extensão de cerca de dois quilómetros, tendo terminado, uma hora depois, na praça da República, no centro da cidade.
O protesto obrigou a PSP a cortar o trânsito durante a concentração dos movimentos e a realizar e cortes pontuais nas ruas por onde passou o desfile, encabeçado por manifestantes que tocaram bombos e concertinas.
Uma viatura da PSP abria a marcha que integrou pessoas de todas as idades de várias freguesias da Serra d’Arga, autarcas, representantes de partidos políticos, entre outros.
A Serra d’Arga, no distrito de Viana do Castelo, abrange uma área de 10 mil hectares, dos quais 4.280 se encontram classificados como Sítio de Importância Comunitária.
“Vamos fazer uma festa pela sustentabilidade ambiental, pela defesa da nossa região, da nossa água, dos nossos terrenos agrícolas, da nossa herança e património”, afirmou Carlos Seixas.
O responsável, que falava no início do protesto lançou um “recado” ao Governo. “Não haverá nem um buraco. Estamos dispostos a ir até onde for necessário. Cada passo que o Governo dê, nós estaremos lá”, avisou.
Também o porta-voz do SOS Terras do Cávado, Vasco Santos, advertiu que a “luta” contra o lítio é para “continuar” por se tratar de “uma hecatombe ambiental e social” que o Governo “quer impor ao povo”.
“Os concursos do lítio são um negócio de amigos para dar milhões aos mafiosos”, disse.
Durante o desfile pelas ruas da cidade, os bombos e concertinas afinaram as vozes que entoaram palavras de ordem como “Galamba escuta, o povo está em luta”, dirigidas ao secretário de Estado da Energia, ou “Minas não, vida sim”. Já nos cartazes empunhados pelos manifestantes podia ler-se: “Não envenenem a nossa água”, “Vida sim, minas não”, “Queremos água, queremos vida, não á mineração”, “Os nossos filhos merecem rios limpos”.
Acompanhado de perto por vários agentes da PSP, o protesto terminou na Praça da República, palco habitual das manifestações na cidade, com várias intervenções. “Quero saudar e agradecer a todos os manifestantes por este clamor social (...) Estamos perante uma ameaça sem precedentes para o ambiente”, disse o presidente da direcção da Corema Associação de Defesa do Património, com sede em Caminha.
O responsável, que falava de megafone na mão, adiantou que o plano de mineração que o Governo tenciona levar a cabo “é um projecto a céu aberto, escavando autênticas crateras no solo com várias centenas de metros de diâmetro, com mais de 100 metros de profundidade”.
“Em tal contexto será preciso rasgar acessos por tudo quanto é sítio (...). Uma devastadora agressão ao espaço envolvente irremediavelmente martirizado e convertido numa paisagem lunar”, alertou, apontando ainda a poluição sonora e atmosférica, a contaminação das águas, como outros dos efeitos.
“As tão propaladas medidas de minimização não passam de música para os nossos ouvidos”, disse, apelando para que a CIM do Alto Minho, estrutura que agrega os dez concelhos do Alto Minho, tome “uma posição inequívoca de oposição a este plano de mineração”.

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