Correio do Minho

Braga, sexta-feira

- +
Vírus sem força para confinar a fé de quem procura conforto espiritual
Município de Famalicão estreita relação com Universidade Católica Portuguesa

Vírus sem força para confinar a fé de quem procura conforto espiritual

Navio Gil Eannes remodela espaços museológicos e prepara regresso dos visitantes

Vírus sem força para confinar a fé de quem procura conforto espiritual

Braga

2021-01-18 às 06h00

Paula Maia Paula Maia

Fiéis cumpriram o hábito de assistirem à missa dominical. Mais do que nunca, cultivam a fé e a esperança de dias melhores para a sua família e comunidade. Apesar dos receios consideram as igrejas locais seguros, onde todas as regras são cumpridas.

O novo confinamento não afastou os fiéis das celebrações que tiverem lugar neste fim-de-semana em praticamente todas as paróquias do concelho. Em São José de S. Lázaro, na eucaristia das 11 horas deste domingo, a lotação foi praticamente a mesma dos tempos de pandemia, altura em que as eucaristias começaram a ser realizadas com restrições quanto à lotação, distaciamento e regras de higienização das mãos.
Sozinhos ou em família, os fiéis que têm por hábito ir à missa, quer à semana, quer ao fim-de-semana, dizem que continuarão a fazê-lo, assumindo que as igrejas são locais seguros.
“Viemos sempre à missa e continuaremos a fazê-lo enquanto as igrejas mantiveram as portas abertas” revelou ao CM um casal que mesmo não sendo do concelho, faz questão de vir todos os domingos à missa “a várias igrejas da cidade”.

Maria do Céu Fernandes e Conceição Sousa integram o coro da paróquia de S. Lázaro. Todos os domingos ocupam o seu lugar “com a devida distância”.
“Nunca deixei de vir à eucaristia”, diz-nos Conceição, garantindo que com os lugares assinalados, a regra dos distancia- mento é cumprida.
“Penso que fizeram bem não fecharem as igrejas e as celebrações porque considero que este confinamento não tem qualquer cabimento. Fecharam algumas coisas, mas as escolas estão abertas, algum comércio está aberto. Os pais que estão em confinamento acabam por ter de sair de casa. Que confinamento é este? Por isso, não vejo porque é que poderiam fechar as igrejas”, afirma por sua vez Maria do Céu Fernandes.

Apesar de ser estar integrada no grupo de risco por padecer de algumas patologias crónicas, Maria do Céu nunca deixou de ir à igreja. “Quer seja na igreja, nas compras ou em qualquer outro lugar temos de nos acautelar, cumprindo as regras. Reverter esta situação passa pela responsabilidade de cada um”, continua.
Estas paroquianas são unânimes na opinião de que ir à igreja é um acto que “alimenta e cultiva fé”, embora nestes tempos de pandemia os pedidos sejam mais específicos e em torno “do fim da pandemia”.

Desde Maio, altura em que foram retomadas as celebrações eucarísticas, que Maria da Conceição, de 70 anos de idade, assiste às celebrações religiosas e, diz, não será por causa do novo confinamento que o deixará de fazer. “Não há riscos acrescidos em vir à igreja”, diz a paroquiana de S. Lázaro, confessando que nestes tempos conturbados “peço a Deus que acabe de vez com esta pandemia”. Apesar da idade já avançada, Maria da Conceição diz não ter medo de assistir à missa. “Se todas as regras são cumpridas, porquê ter medo?”, remata.
Quem diz também não ter medo de ir à missa é Francisca da Silva. A caminho dos 81 anos de idade repete o ritual sempre que pode. “Já falhei algumas vezes, mas somente por motivos de saúde que não relacionados com a Covid. Mas, sempre que puder continuarei a vir”, diz, confessando também que além dos seus pedidos pessoais, “intercede” junto de Deus para que “esta peste acabe”.
Ao contrário do que aconteceu no primeiro confinamento, neste segundo as celebrações litúrgicas, nomeadamente a Eucaristia e as Exéquias vão continuar. Outras celebrações, como baptismos, crismas e matrimónios foram suspensos ou adiados “para momentos mais oportunos”, quando a situação o permitir.

Peregrinos continuam a ir ao Santuário Sameiro para assistir às eucaristias

Apesar do frio intenso que se fez sentir na manhã de ontem (-1ºC às primeiros horas), o padre Delfim Coelho, reitor do Sameiro, referiu que a primeira missa de domingo no santuário, que se realizou às 7.30 horas, na Cripta, estava “composta”. O mesmo aconteceu nas eucaristias das 9.30 e das 11.30 horas. “As pessoas têm tido muito cuidado, colocando-se distantes quanto possível”, referiu o prelado, adiantando que nestes dias opta-se por realizar as celebrações na Cripta, dado ter um espaço mais amplo.
“Aqueles que têm algo interior a que se agarrarem continuam a vir. Nota-se uma certa apreensão, um certo receio porque a situação actual é bem diferente da do primeiro confinamento, mas os fiéis continuarão a vir e a ter todas as precauções possíveis consigo e com ou outros”, continua, o padre Delfim Coelho, admitindo que neste primeiro fim-de-semana o decréscimo de fiéis foi residual. “Termos de encontrar modos de incutir nas pessoas ainda mais confiança para que venham e se sintam em segurança. Há muita gente que não vem mas que tem o mesmo sentido interior: necessitam da eucaristia porque ela é o grande alimento semanal do cristão. Sem isso, as pessoas sentem muita mais dificuldade em enfrentar esta situação”, continua.

Em S. Victor pode-se reservar lugar nas missas através de aplicação móvel

Na paróquia de São Victor, uma das mais populosas do concelho, a igreja manteve-se este domingo com a lotação habitual dos últimos meses. Desde que a pandemia impôs medidas de restrição para impedir a disseminação da Covid que a paróquia decidiu utilizar uma aplicação disponível no seu site, onde os fiéis podem reservar um lugar nas eucaristias com a certeza do cumprimento das medidas de segurança, nomeadamente o distanciamento social. É através dessa aplicação que os párocos locais conseguem, com a devida antecedência, fazer a distribuição das pessoas de acordo com a capacidade da igreja à luz das novas regras de segurança. Desta forma, quem pretende assistir a uma missa poderá saber se terá lugar ou não, sem correr o risco de voltar para trás. “Há quem goste, mas há também quem não goste”, adianta um dos párocos de S. Victor, Sérgio Torres. O certo é que as eucaristias têm tido a lotação preenchida e este fim-de-semana, o primeiro deste novo confinamento, não foi excepção. “A missa das 9.40 e a das 11 horas deste domingo tiveram as mesmas pessoas que em fins de semana anteriores, 90. Ou seja, a lotação máxima”, garantiu o padre ao CM, explicando que as pessoas mais idosas que não dominam tão bem as novas tecnologias também podem garantir o seu lugar através do telefone.

Seja como for, o pároco está convicto que, à semelhança do que aconteceu este fim-de-semana, o novo confinamento não vai afastar os fiéis das da igreja, pelo menos menos aqueles que tinham já como hábito assistir às celebrações.
Para Sérgio Torres, o maior impacto da pandemia foi a restrição que impôs em termos de lotação da igreja. “Neste momento podemos ter 90, 100 pessoas em cada eucaristia. Numa missa normal, ao domingo, tínhamos 200 a 250 pessoas. Nota-se uma diferença”, revela o pároco, acrescentando que os mais “fidelíssimos” são os idosos, “supostamente aqueles que não deveriam vir, ou pelo menos, com regularidade, optando por vir durante a semana por as eucaristias terem menos gente”, remata.

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho